12 de julho de 2011

Escolhas sem retorno XV


- (…) Vi o meu pai entrar em caminhos pouco famosos para a sua carreira, meteu-se na droga, na bebida, e dizia que só o fazia, para se abstrair dos problemas, e que nunca ninguém ia descobrir, só eu, a minha mãe e o meu irmão é que sabíamos, passamos assim dois anos, e com esse tempo tudo foi mudando, ele consumia com mais frequência, aparecia em casa bêbedo quase todos os dias, e… - Olhou para mim, continuando eu quieta. – Traiu a minha mãe, inclusive.
            - E, vieste para o Porto com os três?
            - O meu pai perdeu o emprego no Alentejo, e aí perdeu a cabeça, chegou a casa, mais uma vez bêbedo, drogado, e aí, foi o fim, ele culpou a minha mãe de tudo o que se estava a passar, houve uma grande discussão, e… - Começou a tremer ainda mais, dei-lhe a mão.
            - Tem calma, se não quiseres contar já, estás no teu direito, não deve ser fácil. – Aproximei-me mais dele.
            - Por mais que eu fique assim, a verdade é que eu preciso de desabafar com alguém. – Fez uma breve pausa e continuou – No meio da discussão, ouvia pratos a partir, eu estava nas escadas com o meu irmão, tapava os seus ouvidos para não o deixar a sofrer, para ele não ouvir as palavras sujas que o meu pai dizia, para não o ouvir a culpar a minha mãe, que lhe deu tudo na vida. No meio daquilo, ouvi uma cadeira a bater contra a porta, e aí a minha mãe já gritava alto de mais, não consegui ficar mais ali, e fui lá, tentar, fazer, nem sei o quê, eu queria ajudar, e fui à cozinha, a correr, com o meu irmão que vinha atrás de mim, tinha medo, mas não me acanhei, quando cheguei à cozinha vi a minha mãe a escorrer sangue pela testa, pelo braço, e com um corte na perna, aí o meu pai viu que eu sabia de tudo, que eu sabia demais, e que e podia contar tudo, eu e o meu irmão, ele foi logo para perto da minha mãe, eu fiquei ali, a olhar para o meu pai, já com lágrimas nos olhos, e perguntava-lhe o que é que nós lhe fizemos para ele se tornar este homem, ele agarrou-me e disse que nós éramos os culpados de tudo, que nós tínhamos culpa, mas sem dar razões coerentes, e aí, vi o meu irmão a atirar um copo ao meu pai, sabia que ele não fez por mal, ele tinha oito anos, eu tinha onze, e aquele era um choque para ele, ouvir gritos, e choros. O meu pai ficou fora de si, deu-me uma chapada e encostou-me contra a porta, começou a partir tudo o que estava à sua frente, e eu não conseguia fazer nada, até que ele pegou no meu irmão por um braço, e empurrou-o contra a parede, gritou-lhe, esbofeteou-o, eu ainda tentei fazer alguma coisa,fiquei furioso, fui defender o meu irmão, sinto que piorei as coisas. O meu pai mais uma vez me atirou para o chão, e, a sua fúria de ter acontecido tudo na sua vida, pegou numa cadeira, e atirou-a, acertando em cheio no meu irmão. – Baixou a cabeça.
            - Calma, e depois, o teu irmão, como ficou? - Calei-me – Quero dizer se não quiseres não continuas, podemos falar de isto depois, afinal, eu sou uma desconhecida, e continuo a estar aqui, sabendo o não o que se passa.
            - O meu irmão, ficou inconsciente, o meu pai, entrou em desespero quando viu que poderia ter morto o seu filho mais novo… Parou com a violência, e tentou fazer com que o meu irmão voltasse a abrir os olhos, nesse momento vi a coisa mais confusa do mundo, o meu pai estava a chorar, depois de tanto grito. A minha mãe levantou-se a custo e foi ver o meu irmão. Custou-me, mas eu tinha de o fazer, liguei para o 112, e depois para a polícia, quando o meu pai percebeu que a polícia estava metida nisto, e podia descobrir tudo sobre a droga, e todas as coisas ilegais que ele consumia…


Continua ;)
Escolhas sem retorno XIV aqui

17 comentários:

inês disse...

coitado do rapaz :s
muito boa história msm*

martasousa disse...

gostei, está lindo!

-s disse...

Está lindo :)

daniel disse...

pois está (:

branwyn disse...

que triste história... mesmo triste. senti um nó no estômago :s e depois as imagens vieram-me todas à cabeça :s.. continua*

-s disse...

De nada :)

Gabriela ♥ disse...

Que lindo :)
Adorei *-*

raibow disse...

Obrigada, é verdade, passado, é passado!
Adoro o teu, beijinhos

inês disse...

obggg sté

de nada, é msm :\

hj *

raibow disse...

nem sabes o quão já melhorei, obrigada!

branwyn disse...

imaginei a cena na minha cabeça :b

branwyn disse...

ahh :) não! mas sem dúvida que existe alguém por aí com uma história de vida igual :s infelizmente.

alexandra disse...

estou a gostar tanto <3

Mariana disse...

Parabéns, adorei o blog :)

Mariana disse...

só disse o que acho :b

Mariana disse...

(:

Ana Margarida disse...

Está perfeita! :)