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22 de maio de 2011

Sentido de Vida # 15


   Não estava a conseguir, já não sabia que fazer, já estava a entrar em pânico total.
   Eu – Vou-te buscar um copo de água, tem calma.
(…)
   Voltei de novo à sala já com o copo de água, dei-lho, ele olhou-o e pousou-o na mesa de centro da sala.

   Kevin – Obrigada amor, não preciso de nada, só de ti, neste momento, não acredito no que foi acontecer, com ele, não podia.
   Eu – Com ele? – Já estava a ver tudo, uma lágrima caiu do meu rosto, já estava demasiado nervosa, e se fosse a notícia que eu pensava que ia ouvir, já estava quase pronta para a receber.
   Limpei a lágrima, ao mesmo tempo que duas escorreram do rosto do Kevin – Não, não é justo, não pode ser assim, não dá! – Gritou aquilo, com os nervos à flor da pele. Não pude mais vê-lo assim, abracei-o com força, e ele dizia sempre o mesmo, repetindo vezes e vezes – Não, ele não, o meu melhor amigo não…
   Eu – Amor, calma, estou aqui para tudo, só te quero ajudar, tem calma, não aguento ver-te assim.
   Kevin: Como?!... Fodass*, a vida é injusta, o Simão morreu. – Continuando a chorar, abraçou-me – eu é que devia estar ali, por tudo o que já fiz, por te ter deixado assim, por ter sido parvo.
   Eu – Cala-te, não me digas isso, apenas fica em silêncio, tu não me podes deixar, porque eu te amo, porque eu sem ti não vivia, porque este mês foi um pavor para mim, porque já não aguento viver sem ti. Porque eu te amo! Apenas por essa razão, que já é mais do que a suficiente!
   Kevin – Não vejo mais nada na minha vida sem ti, caí num buraco sem fundo, e enquanto não batia no fundo, tratei-te mal, muito mal. E agora preciso da tua ajuda. Não tenho o direito de te pedir nada depois de tudo o que te disse, mas não aguento mais nada sem ti. Amo-te.
   Eu – Tinha tantas saudades tuas, tantas, tantas.
   Quando dizem que um abraço reconforta, sim, reconforta, depois de tanta tristeza, consegui acalmar um pouco o Kevin, e acalmar-me a mim própria, ou se calhar ele é que me acalmou.
(…)
   Tinha medo de falar sobre a morte do Simão, afinal, era o seu melhor amigo, ia ser difícil superar. Tentei adiar essa conversa o mais possível. Eu não estava em mim, não estava segura, não acreditava no que ouvia, foi muito rápido até isto acontecer, num ápice, o Simão… morreu.
   Kevin – Obrigada, és a melhor namorada do mundo, só por estares aqui, e tentares dar forças para eu continuar.
   Eu – Já? Não queres ficar um pouco? Queres que vá contigo?
   Kevin – Não, não precisas de vir, não posso ficar. Não acredito que depois das coisas que te disse, da arrogância, ainda estás aqui, não és como as outras, és complectamente diferente, és totalmente especial.
   Esbocei um sorriso, dei-lhe a mão, e levei-o até ao elevador, sem vontade de o deixar ir.
   Eu – Meu príncipe, meu anjo, estou sempre no mesmo sítio, à tua espera, para te ajudar, para correr o mundo atrás de ti, para salvar o teu mundo, para te salvar do mundo dos outros, para te dar tudo, para te fazer realmente, feliz, para fazer de ti o meu homem, lembraste?
(flashback)
   Eu: Tu és meu, só meu, eu vou fazer tudo, mas tudo para conseguir apenas a tua felicidade, tudo é pouco para te sentires o homem mais feliz do mundo, para seres o meu homem.
Kevin: Tu bastas para me fazer feliz, tu és tão especial, tão frágil, tão guerreira. Eu estou aqui para te fazer bem, para te fazer a mulher mais feliz, para seres a minha mulher. Amo-te.
(flashback)

   Kevin – Lembro-me, nunca me vou esquecer, como uma promessa, vou fazê-lo, nem que o mundo acabe, eu vou estar, para realizar os teus sonhos, nem quando todos os mundos desabarem, eu te vou deixar.


Continua...

21 de maio de 2011

Sentido de Vida # 14


   As saudades, começavam apertar, começava a necessitar daquele doce beijo, e o suave toque, precisava de novo do abraço. Fazias-me falta. O  meu ser estava cansado de tanta tristeza, de tanto vazio. Não tinha coragem de lhe mandar uma mensagem, se calhar ele sentia o mesmo, talvez não. Passava horas no computador, tentando passar o tempo, a olhar para o telemóvel, na esperança que me mandasse uma mensagem, com a razão que eu quero ter, queria a sua iniciativa para se curar, para mudar aquele estilo de vida. E assim, os dias passaram.
(…)


   Com muito esforço, três semanas passaram, sem nada para dizer um ao outro, já não estava bem, já não conseguia parar de pensar no mesmo, à medida que os momentos me viam à cabeça, as lágrimas teimavam em cair da minha cara. Estava num momento deprimente, sim, já não aguentava tanta dor, já não aguentava aquela frieza, em que tudo o que eu queria era correr para os seus braços, e sabia que não podia.
   Decidi ir até à sala, beber um sumo, e tentar esquecer por mais uns momentos, ligui a televisão e lá fiquei. Sem saber onde estava, o que fazer, para onde dar um passo quando tirasse os pés do sofá.
   O agudo som da minha campainha, fez os meus altos pensamentos apagarem-se. E como o intercomunicador da campainha estava avariado, tive de descer até ao rés-do-chão, para ver quem era. Se eu chegasse lá baixo, e fosse um homem a vender livros, ou fazer publicidade a coisas sem jeito, não iam ser lá muito bem recebidos…
   Para meu espanto, saio do elevador, e ao fundo na porta com um grande vidro transparente, estava lá ele. Parei ali, hesitei no próximo passo que iria dar, se para lhe abrir a porta, ou para voltar para o elevador, e voltar para o sítio de onde não deveria ter saído, com o meu copo de sumo de laranja e o filme melancólico. Nunca tinha visto o Kevin daquela forma, estava pálido, e engoliu em seco quando me viu. Já não estava com um bom feeling.
   Fui abrir a porta.
   Kevin: Precisamos de falar.
   Logo me arrependi, e tenteii fecha-la, mas ele pôs o pé a travar o meu acto.
   Kevin: Por favor, eu preciso…
   Abri a porta e mandei-o entrar, entramos no elevador, calados. Ele continuava pálido, que se estava a passar, não tinha coragem de falar com ele ali, estava à espera do sítio calmo. Abri a porta do elevador, já no piso correcto. Abri a porta, estava nervosa, estava com medo, com receio, já não estávamos os mesmos, mas a minha vontade de o beijar continuava em alta, disse-lhe para se sentar. E sentei-me ao lado dele. Estava estranho, olhou a minha sala de cima a baixo, olhou em redor todos os cantos.
   Eu – Kevin, está tudo bem?
   Não obtive resposta, estava a entra em pânico. Levantei-me para ir buscar um copo de água para ele, e já estava a tremer « Ai, que se passa? Meu Deus, o que é que ele tem ?!»
   Kevin – Espera, não vás. – Disse aquilo baixo, notou-se que a voz dele estava trémula.
   Eu – Que se passa? Kevin – Voltei a aproximar-me dele.
   Voltou a calar-se, as suas mão apoiara-se na sua cabeça, e a sua cabeça pousou nos seus joelhos.
   Eu – Por favor, estás assustar-me, conta comigo. eu vou estar aqui sempre eu apoio-te, eu ajudo-te, por favor, porque é que estás assim?

Continua...

Sentido de Vida # 13


   Olhava o telemóvel de 20 em 20 minutos, estava à espera de uma mensagem do Kevin, mas nem sinal. O meu pai, tinha-me ocupado o tempo, mas não tinha grande efeito de alegria, não parava de olhar o relógio, não parava de olhar o telemóvel. Não parava de sentir saudade. Último dia da grande semana. O meu pai disse que não ia precisar mais de mim, e tinha o fim-de-semana em descanso, só meu. Só ainda não tinha a certeza se seria um bom fim-de-semana, ou mau.
   De tanto cansaço, já nem me lembrei do telemóvel, realmente, só queria descanso, só queria aquela noite de sono, que eu não tinha à algum tempo. Mas , o meu mano, tinha de vir , e interromper o meu sono.
   Luís – Sté, estás acordada?
   Eu  - Não, não vês que estou a dormir.
   Luís – Vá, não estou a brincar. Tenho uma coisa para dizer.
   Eu – ‘éláh’, uma bomba… Quem é a miúda, conta lá aqui à mana, eu estou aqui a ouvir-te.
   Luís – pois, não há miúda, venho cá dar-te uma notícia.
   Eu – não me digas que engravidaste uma rapariga, ela fugiu do país e deixou-te com a criança. Vou ser tia! Que lindo.
   Luís – Stefanie, não estou a brincar, eu preciso mesmo, de te dizer isto, tens de saber, e não é comigo, é com o Kevin, e o Simão.
   Eu: Ah?
   Luís – Calma, eu estava a vir do curso, e ao passar pelo hospital, estava lá o Kevin…
   Eu - O que é que se passou com o Kevin?
   Luís - O kevin está bem, o Simão está internado.
   Eu – Como assim, internado?
   Luís – Ele está mal, mesmo. Está com o ritmo cardíaco muito fraco, problemas nasais e pulmonares. Os problemas de um fumador, mas acho que mais fortes.
   Eu – Eu tenho de ir ao hospital, eu tenho de ver o Simão , e tenho de ver o Kevin, nem que seja de vista apenas, levas-me (?) , por favor.
   Luís – Claro, mas tem de ser rápido.
(…)
   Luís – Vais só, ou queres companhia?
   Eu – Não te preocupes, vou só, e rápido. E se me arrepender mais rápido será.
   Entrei naquele hospital, eu detesto hospitais, as pessoas a queixarem-se de dores, e ver ali alguns médicos encostados à parede, a cumprir horário, mas não a cumprir ordens e salvar vidas, como o deviam fazer.
   O Kevin, estava na sala de espera lá ao fundo do longo corredor de cabeça baixada, já não sabia se deveria ir ter com ele, ficar ali à espera que ele viesse, ou fugir, e ir embora. Não sabia o número do quarto do Simão. Aproximei-me.
   Eu – Qual é o número do quarto do Simão?
   Kevin – Sté, ainda bem que estás aqui.
   Eu – Estou com pressa, quero ver o Simão, e sair daqui. Não gosto deste ambiente.
   Kevin – Compreendo, foi aqui que o V…
   Eu – Sim, foi, e estás à espera do momento em que vens tu, o Simão está não se sabe como, acaba tudo no mesmo não é?
    Kevin – Quarto 22.
   Virei costas e fui vê-lo, não sei onde fui buscar aquelas forças, eu própria estava espantada. Já no quarto 22, não sabia ao certo o estado do Simão. Não queria saber, não queria pensar muito nisso, mas sabia que ele estava com o mesmo problema do Vítor, apenas fiquei ali dois minutos, ele estava naquela maca imóvel, a dormir, e vivo, praticamente por causa de máquinas.
   O Luís estava à minha espera lá fora.
   Kevin – Espera (aproximando-se)
   Eu – Para quê? Assistir ao espectáculo que só acaba quando estiveres no mesmo sítio que o Simão está e o Vítor esteve. Desculpa, tens menos um elemento no público.
   Saí dali, e fui para casa, sem dizer uma palavra durante o caminho de volta, o meu irmão não tocou no assunto.
   Eu estava com medo, sabia que tinha sido fria, e não devia tê-lo deixado sozinho.


Continua...

20 de maio de 2011

Sentido de Vida # 12


   Contei-lhe tudo, ele não me poderia por no caminho certo, não me poderia proteger sempre, eu sabia, mas precisava mesmo de desabafar. Ele olhava, estava atento, eram poucas as vezes em que ele estava com aquela atenção para as minhas preocupações.
    Luís – Sté, como já te disse, eu não te consigo por no caminho certo, como eu o queria fazer, ele vai compreender que te está a magoar, e a magoa todos à sua volta, tudo se irá resolver. Se vocês tiverem de ficar juntos, ele será o primeiro a ver que está errado. E quando ele perceber, ele to dirá.
   Eu – Obrigada mano. Quero mesmo muito que ele entenda rápido, não quero voltar a perder ninguém.
   Luís – Se ele te ama acima da droga não te vai deixar.
   Eu – E se ele não me amar acima disso?
   Ficou a olhar para mim, sem saber o que me dizer. Como se tivesse feito uma pergunta muito difícil. Ouvimos uma porta bater. Eram os papás.
   Luís – Bem, vais ficar aqui, vou dizer que estás a descansar, os pais não te vão ver com esses olhos, e com as dores de cabeça que estás eles vão perceber.
   Eu - Como é que sabes assim tanto sobre esse assunto?
   Luís – Se calhar porque já fiquei assim, mana.
   E dando-me um sorriso, saiu do meu quarto com um “ Descansa pisca!”
   Voltei a deitar-me, eu tinha sido mesmo parva ao ponto de quase estar em coma alcoólico, meter-me em problemas, e sabia que se voltasse a fazer isto mais vezes poderia cair num vício, sem volta, ou algo assim do género, como dizem que é…
   Adormeci, acordei apenas pela hora do jantar, com a minha mãe a chamar para a ajudar na cozinha. Ainda estava com uns olhos um bocadinho estranhos, e com um pouco de dores de cabeça, mas nada que uma boa disposição durante 10 minutos, e disfarçar com um pouco de maquilhagem não resolva. E para mudança total do meu dia, e para quebrar a rotina, o meu irmão incentivou todos a passarem um serão em família, como antes, filmes até as tantas, histórias e lendas, que nos faziam rir, as anedotas secas e assim, as ‘gafes’ familiares naqueles jantares de Natal.
   Aquele momento fazia-me sorrir, como sempre que estava com eles, para interrupção de tanta felicidade, recebi uma mensagem.

“Nunca mais vais querer olhar para a minha cara por amar droga, nunca mais me vais querer beijar por eu não conseguir superar isto. Não me amas, se me amas é pelo que sou. Kevin”.
   “Não te quero voltar a olhar, tocar e beijar, por amares mais a droga do que uma pessoa, porque dentro de mim existe uma revolta de sentimentos, já não sei o que fazer para veres que a droga não te leva a lado nenhum, tu podes ser ajudado se pedires ajuda, e estiveres disposto a ser ajudado. Desculpa se não consigo estar contigo sempre como tu queres.”
   Mãe – Então, já estás agarrada ao telemóvel, a namorar aposto…
   Eu – Óh mãe, já te estás a meter no que eu faço? Não me chateies já!
   Pai – Essas não são maneira de falar com a tua mãe, ouviste?
   Luís – Eih, calma, já vamos estragar o ambiente? Chega!
   Eu – Desculpem, vou dormir. Até amanhã.
   Fui para o meu quarto, mas ainda ouvi o meu irmão dizer algo do género “Deixem-na estar um pouco, já sabem a personalidade dela, ela não gosta que se metam, calma com ela.”
(…)
   Mais uma mensagem, dele.
   “Desculpa, eu tenho de pedir desculpa, muita, sou um parvo, mas eu amo-te. Eu AMO-TE.”
   Tinha prometido a mim própria não chorar, tentar não fazê-lo.
   “Não achas ser tarde para me dizer isso?!”
   Não recebi resposta a isto. Não respondi a mais nada, ninguém me respondeu a mais nada. Os dias foram passando e nenhuma palavra era trocada, entre nós.


Continua...

17 de maio de 2011

Sentido de Vida # 11


   Já estava alegre demais, no meu quarto a cama já rodava , eu rodava com ela, ou assim o pensava. A música estava em altos berros. E os meus saltos que faziam os calcanhares bater com força no chão do meu quarto começava a incomodar os vizinhos.

“I can't seem to face up to the facts
I'm tense and nervous can't relax
I can't sleep, MY bed's on fire
Don't touch me I'm a real live wire

Psycho killer, qu'est que c'est
Fa Fa Fa Fa Fa Fa Fa Fa Fa Fa Better
Run Run Run Run Run Run awaaaaay
oooohoohooohooooooo, yeah yeah yeEA…”

   O Luís abre a porta de rajada. E com os seus altos berros alerta-me para o barulho: "Baixa já essa porcaria, ‘tás parva?"
   O meu susto foi grande, não contava com aquela parte da gritaria. Olhei para ele, com o meu olhar mais desprezível, com a garrafa na mão. O Luís, parou a música, e ficou abismado a olhar para mim.
   Luís: O que andas a fazer? Olha para ti, no que te andas a meter, que se passa?
   Continuava sem proferir uma palavra, ficamos os dois calados durante momentos, longos momentos, em que eu não sabia se havia de esconder a cara, ou ainda continuar. Eu não estava a conseguir esquecer, eu ainda tinha noção do que fazia. Então voltei a encostar o gargalo da garrafa à minha boca, mas antes disse: "Sou infeliz, sou burra, sou estúpida, penso que a vida é um conto de fadas, e todos conseguem o que querem, óh, não é. Se é assim que a vida quer que eu seja, vou fazer-lhe a vontade. Não tenho de ser o orgulho da família, pronto. NÃO SOU, temos pena! Já que é tudo um ciclo de viciados, quero saber a sensação de um controlo por uma simples bebida."
   Assim virei a garrafa para a minha boca, já a meio. O líquido não chegou à minha boca, o meu irmão tirou-me a garrafa da boca, e atirou-a para o chão, partindo-a.
   Eu: Pensas que tas no teu quarto não, saí daqui. Vais limpar antes disso, mas vais sair daqui! JÁ!
   Virei-me para a janela, e comecei a rir-me. Assim, sem razão, assim, indecifravelmente.
   Luís: Tem piada? Tem? Tem? Diz-me , que se passa, que se passou com o Kevin?
   Eu: Porque é que tem de ser o Kevin, diz-me, porque razão seria?!
   Luís: Porque é a pessoa que mais amas neste mundo. Acertei?
   Como pedradas na cabeça, comecei a sentir a minha cabeça pesada. Baixei a cabeça, uma lágrima voltou a escorrer no meu rosto, fazendo o mesmo trajecto de sempre, saí do meu olho inchado e vermelho, passa pela minha cara e quando alcança o fim da minha face, caí, no chão, nas minhas pernas, quando não são enxugadas pela minha mão. Ele abraçou-me, amarrando-me fortemente nos seus braços, familiares, seguros.
   Luís: Eu estou aqui, sentes, o meu abraço. Agora diz-me. Que se passa? Eu não consigo ver a minha mana querida assim. Fala comigo. Desabafa. Diz tudo o que te está a fazer isto. Porque tu não és isto…Eu quero ajudar-te.
   Eu: Ele mentiu-me, o rapaz que eu amo, quer voltar a deixar mal, porque tem o vício, o mesmo vício, do Vítor, mano, tu sabes, tu sabes que eu não aguento, mano ajuda-me!
   Ele não dizia nada, continuava calado, com a minha cara encostada ao peito dele, sentia o seu calor, sentia a sua preocupação.
   Luís: Sabes… Ele… As pessoas…
   Eu: Estás a chorar?
   Luís: Não querida, isto não é choro, é preocupação. Sabes, que existem coisas na vida, que são muito dificeis de superar. Mas agora não vamos falar sobre isso. Vou limpar isto, e tu vais descansar.
   Eu: Não, não tenho sono.
   Luís: Então vais tomar um banho, e tomar um café, e sem refilar. Os pais devem estar a chegar, não quero que eles saibam, ouppa!
   Fiz o que ele disse, e já com o quarto organizado, deitei-me sobre a cama.O Luís veio até ao meu quarto, ver como estava, sentou-se no canto da cama.
   Luís: Se eu pudesse, se eu fosse o Rei do mundo, eu punha-te no caminho certo, proíbia-te de qualquer sofrimento. Ma existem caminhos que só podem ser seguidos por ti. Amar é tão profundo e tão complicado. Tua amas o Kevin, de uma forma inexplicavél. Porque o amor é inexplicável.
   Eu: Mano, antes de eu amar seja quem for, tu és quem eu amo. Irmão é irmão, o meu amor por ti é inexplicável. Obrigada Luís, Obrigada mano. Amo-te.
   A minha cabeça doía, mas sabia o que dizia, amor de irmão é verdadeiro, continua a ser louco, tenho um irmão do meu lado, e ele ajuda-me. Juntos somos mais fortes do que todos os ventos.


Continua...

16 de maio de 2011

Sentido de Vida # 10


   Kevin: Menti quando disse que ontem a mensagem era da Mariana, quando disse que as mensagens de hoje eram coisas insignificantes. Menti quando te disse que levava as minhas promessas até ao fim. Jurei que ia vencer o vício da droga, jurei e falhei. Satisfeita?
   Eu: Satisfeita? Ainda me falas como se fosse algo superficial, mas isto pode trazer-te muitas consequências, não só a ti, como a todos os que te adoram, como a mim. Tu sabes disso.
   Kevin: Sim, eu sei.
   Stefanie: Tu não estás minimamente interessado em saber pois não. Tu não queres saber da cura, e mais, não queres saber de mim, nem de nós.
   Kevin baixou a cabeça, já não estava a aguentar com tanto julgamento, tanta era a vergonha de não conseguir superar o seu próprio vício.
   Kevin: Desculpa Stefanie, não é isto que eu quero, que não quero ser um drogado, eu não quero ser dependente disto.
   Eu: Já o és, que se pode fazer agora?
   Levantei-me e corri, fugi dali, não podia ouvir mais aquilo, não o podia ouvir falar como se nada afectasse ninguém, como se isto fosse apenas um problema fácil de resolver.
(…)
   Cheguei a casa, e bati a porta de entrada com força, que criou um estrondo em todo o prédio. Escorreguei encostada à porta até alcançar o chão e as lágrimas não paravam de escorrer o meu rosto « Não aguento mais, mais uma vez não, Chega!”.
   Parei um pouco. Calei por segundos as minhas lágrimas e soluços de tristeza. A casa estava silenciosa. Ninguém ainda estava ali, ainda ninguém tinha ouvido a minha dor. Ainda não tinha ali o meu irmão a levantar-me. Senti-me insegura, já ninguém estava ali a segurar-me na palma da sua mão.
   Da porta entreaberta da cozinha, via um bilhete cor-de-rosa colado na porta do frigorífico. Fui ver o que estava escrito, limpando as últimas lágrimas que estavam no meu rosto: « Eu e o pai fomos tratar de um negócio da fábrica. O almoço está no forno, só precisam de aquecer. Eu e o pai não almoçamos. Bom apetite meu queridos. Mãe.»
   Estava só naquela imensa casa. Deitei-me no sofá, as ideias na minha cabeça precisavam de ser esclarecidas, mas a cada minuto que passava ficavam mais dispersas e confusas.
   Palavras não me saíam da cabeça, frases ficaram memorizadas:
“Menti quando te disse que levava as minhas promessas até ao fim. Jurei que ia vencer o vício da droga, jurei, e falhei. Satisfeita?”
    Já não tinha objectivos, já não tinha nada a me dedicar, ele já não se interessava, ele desistiu. Precisava de me refugiar em algo, precisava de esquecer, precisava de tentar tornar-me forte, por um minuto que fosse.
   As horas passavam, não tinha fome, não tinha sede, não tinha vontade de sair daquele sofá. Eu tinha de parar com aquilo, tinha de tomar uma atitude, não podia chorar mais, não queria pensar mais, não ia voltar a desesperar. Levantei-me e percorri a casa toda. Abri as portas de todos os compartimentos daquele grande apartamento. Nenhum me cativava a sorrir. Voltei à sala, entrei no mini-bar que o meu pai decora todos os fins-de-semana com as garrafas oferecidas pelos amigos, e colegas.
   Estava lá uma garrafa brilhante e alaranjada em cima da prateleira de vidro. Lá tinha inscrito “Whisky”, já tinha provado, já tinha bebido muito, muitas vezes. Inconscientemente, e sem noção de qualquer consequência peguei na garrafa, e abri-a, peguei num copo, e deitei um pouco, como um início. Já nem uma lágrima me caia do rosto nem nenhum pequeno soluço era libertado, já não baixava a cabeça, e cada momento em que me lembrava do nosso diálogo, soltava uma gargalhada. Depois de vários centilitros, já estava fora de mim.


Continua...

15 de maio de 2011

Sentido de Vida # 9



   Kevin: Deixa estar a mensagem.
   Achei estranho, ele costumava ver sempre o telemóvel, fosse quem fosse, respondesse ou não. Mas nem disse mais nada.
(…)
   Eu : Bem, já fizemos a pausa, vamos continuar?
   Kevin: Agora? Estamos tão bem aqui…
   Eu: Mas nós viemos para correr.
   Kevin: Só? Vamos até ao rio.
   Eu: Não , são quase onze e eu disse que ia cedo, afinal , só vinha correr.
   (O telemóvel voltou a tocar. Mas o Kevin nem ligou.)
   Kevin: Sim, desculpa, tens razão.
   Decidimos então ir para casa. E mais uma vez, o telemóvel do Kevin tocou.
   Eu: Então, o teu telemóvel não parou de tocar, e tu nem vês de quem é?
   Kevin: Porque se calhar não estou minimamente interessado em ver agora, estou mais concentrado a estar contigo não?!
   Eu: Nem precisavas de falar assim comigo, mas ok.
   Kevin: Desculpa, mas eu não quero saber o telemóvel, até o vou desligar.
   Tirou o telemóvel do bolso, e ficou um pouco a olhá-lo.
   Eu: Vês, até te está a interessar o assunto. Quem é?
   Kevin: É o… (hesitou), é a...
   Eu: É…
   Kevin: São aquelas parvas mensagens da Vodafone, que me enervam profundamente.
   Eu: Essas mensagens deixam-te assim?
   Kevin: Assim como?
   Eu: Assim sem jeito, assim como da forma que falaste comigo à pouco.
   Kevin: Não confias em mim, é isso?
   Eu: Claro que confio, mas essa não é forma de ficares quando recebes uma mensagem da Vodafone.
   Kevin: Não achas que te estás a tornar repetitiva? Já te disse que não é nada.
   Eu: Estás a gozar comigo agora? Ontem ficaste estranho com a mensagem da Mariana, hoje já dizes que foi a Vodafone, foi a Mariana de novo?
   Ficou calado. De olhar fixo noutro lugar…
   Eu: Não estou a gostar nada desta brincadeira, já devias saber, já devias saber que entre nós não há segredos, já devias ter visto que eu estou aqui, sou tua namorada e tu andas estranho demais, que se passa Kevin?
   Kevin: Eu menti.
   Eu: Mentiste? O quê? Como?



Continua...

14 de maio de 2011

Sentido de Vida # 8


   Confesso que estava com medo, do que poderia vir naquela mensagem, e as consequências, o Simão veio logo à minha cabeça.
   Corri até á porta.
   Eu: Que se passa?
   Kevin: Nada meu anjo, amanhã conto-te tudo, prometo.
   E assim seguiu o seu caminho, depois de me dar um leve beijo de despedida. Fechei a porta, e encostei a minha cabeça a ela.
   Luís: Calma, confia nele.
   Eu: Tenho medo, sabes bem disso.
   Luís: Vai para a caminha, amanhã vocês conversam não vale a pena este drama agora.
   Tratou-me como uma criança, estava confusa, e não queria que isto se tornasse um problema, com graves consequências. Mas pronto, é o feitio. Dei-lhe um beijo de boas noites e fui para o quarto.
   O meu telemóvel toca. Uma mensagem do Kevin: “ Fui burro em não te ter dito nada quando saí, mas fiquei um pouco parvo com a mensagem que recebi, era a Mariana, queria falar comigo, não te preocupes, não estive com ela, pediu-me para ir ter ao parque mas quando eu lá cheguei ela não estava. Amanhã quero estar contigo.”
   Fiquei feliz pela mensagem. Naturalmente respondi: “Amor, preferia que me tivesses contado, eu ia contigo, não gosto nada dessas ideias de voltares a estar com ela. Tu o sabes bem. Eu também quero estar muito contigo.”
   Não respondeu mais, não falamos mais. Deitei o meu corpo sobre a cama, como sinónimo de cansaço, e adormeci. De luz acesa, computador ligado e música de fundo muito baixa.
   A manhã esta brilhante, linda. Os raios de sol já entravam na minha janela. Senti vontade de ir correr, precisava de gastar energia. Vesti o meu lindo fato de treino. Só podia parar quando a energia fosse nula.
   Peguei no telemóvel… “1 Chamada não Atendida – Kevin”. Voltei a ligar-lhe, a sua voz de sono dizia tudo, andou acordado até às tantas. Disse-lhe para vir comigo correr, ele, aceitou. Assim, era mais uma hora que eu podia estar com ele.
   Bem, começou a jornada, corrida matinal, que já não fazia à muito tempo, já não praticava desporto tão activamente desde o fim do ano lectivo. O Kevin já vinha a correr ao fim da rua, passou por mim, não parou, apenas riu e disse “ Não é para correr, então já cá devias de estar!” Depois correu mais um pouco e parou: "Anda, não é correr que queres? Mostra-me o que vales!”
   Comecei a correr até ele, amarrei a sua mão e puxei-o para mim.
   Eu: Tu querias mesmo ir correr sem me dar um beijo não?
   Kevin: Humm… Só te devia dar um beijo no fim, e só se merecesses.
   Eu: Pronto, então. Apanha-me.
   Começamos os dois a correr, o caminho estava deserto, éramos apenas nós, os nossos pés e o caminho.
(...)
   Já fartos da corrida, decidimos parar um pouco. Sentámo-nos no passeio.
   Kevin: O prémio?
   Eu: Não te esforçaste o suficiente. Tens de me ir buscar uma garrafa de água primeiro.
   Kevin: Os seus desejos são ordens princesa.
   O café estava aberto, ele foi-me buscar a desejada garrafa de água. O telemóvel dele tocou.
   Eu: Kevin, recebeste uma mensagem.
   Não me ouviu, chegou, pegou a minha mão, e puxou-me para ele.
   Kevin: É agora que mereço o prémio?
   Eu: Claro que sim, qual é a dúvida?
   Estava feliz por poder estar ali com ele. Felicidade verdadeira já não a tinha à muito tempo.
   Eu: Tens uma mensagem, acho eu.

Continua...

1 de maio de 2011

Sentido de vida # 7


   Passaram-se umas semanas, ainda não tínhamos voltado a falar do consumo de droga, mas eu sabia que ele estava a ser forte, estava tão orgulhosa.
   Cada vez mais perto o dia em que o Kevin ia conhecer os meus pais, sim, mesmo isso, estava tão nervosa, mais do que ele, já sabia que o meu pai ia começar com aquelas perguntas, tinha medo que não encarasse com o Kevin, e que começasse com intimidações, enfim, pais… quem os entende verdadeiramente?
   O dia chegou e ao fim das aulas fomos juntos para minha casa.
   A minha família estava toda fora, pronto, podia respirar livremente durante mais uma horinha, pelo menos.
   Kevin: Então, que se passa? Tem calma ninguém vai morrer.
   Eu: Tu não estás minimamente nervoso?
   Kevin: O momento não chegou, e estou calmo, eu vou até ao fim do mundo por ti, enfrento toda a gente, lembraste? Não sou o super-homem, mas se tenho o poder de te ver sorrir, quero que esse momento dure sempre, para isso, enfrento tudo.
   Eu: É por isso que eu não te consigo deixar, amo-te.
   A segurança perto dele, fazia sentir-me capaz de tudo, um momento diz tudo quando um olhar é trocado. Inseguranças foram postas de lado, indecisões arrumadas num canto, ali só existia eu e ele, formávamos uma energia que ninguém poderia quebrar, os momentos são intensos, um toque apresenta uma nova sensação e cada  beijo dava-nos a certeza de que estávamos juntos, para sempre.

   
   Mãe : Stefanie, já trouxeste o teu namorado? Ele está cá?
   Pronto, aquela voz, vinda da porta de entrada, estragou tudo.
   Deixamos as nossas mãos entrelaçadas, e afastamos os nossos corpos.
   Eu: Sim mãe, estamos aqui na sala!
   Mãe: (Chegando carregada de sacos) Olá Kevin, desculpem lá se interrompi alguma coisa.
   Virou as costas e foi para a cozinha, olhei para o Kevin, ele soltou uma gargalhada. Soltei um sorriso e continuei com um “ Pára com esse sorriso lindo e beija-me”.
   Sim, foi um momento único, uma tarde única interrompida pela minha mãe, mas "acontece", como ele diz. Chegou o resto da minha família e fomos para a mesa. O meu pai lá começou, com aquelas perguntas do costume, sobre a escola, sobre o futuro. Contou aquelas suas histórias de quando era adolescente, sim , essas tinham piada, o meu pai era um homem feliz, mas um pouco retrógrado em certas coisas.
   O meu irmão, estava com aquele seu sorriso, em que mais um minuto de histórias sobre a “infância” do meu pai, começava a rir-se sem parar. Confesso que também estava com uma certa vontade de rir. O Kevin estava muito interessado, fiquei espantada com aquilo. Fomos todos ver um filme, e quando o meu pai e a minha saíram, começaram as altas gargalhadas, acerca do jantar.
   Senti o telemóvel do Kevin a tremer, ele apenas olhou o telemóvel, despediu-se de mim, e foi-se embora, dizendo que me explicava depois o porque da sua ida.


Continua...


FELIZ DIA DA MÃE!

30 de abril de 2011

Sentido de vida # 6


   Senti que não havia mais nada a fazer, o meu coração batia a uma força astronómica, e os meus olhos maravilhavam o sorriso do Kevin, estava um momento fantástico, eu e ele, naquela praia deserta, o barulho das ondas reconfortavam o meu coração, aquele vento fazia-me sentir livre, e saber que estava com ele, naquele momento, enchia o meu coração de alegria. Correr até ao fim do mundo era pouco, ir até ao céu era a mínima coisa que podia fazer por ele.
   Kevin: Tu vales mais que tudo, nunca ficarás só, eu não te vou deixar, eu não vou…
   Calei-o com um suave beijo, e apenas sorri.
   Eu: Tu és meu, só meu, eu vou fazer tudo, mas tudo para conseguir apenas a tua felicidade, tudo é pouco para te sentires o homem mais feliz do mundo, para seres o meu homem.
   Kevin: Tu bastas para me fazer feliz, tu és tão especial, tão frágil, tão guerreira. Eu estou aqui para te fazer bem, para te fazer a mulher mais feliz, para seres a minha mulher. Amo-te.
   Sabia que não bastavam palavras, juras para ele saber que eu o amava, mas nem todas as palavras do mundo chegavam. Ficamos por ali, cada um seguiu o seu caminho de volta para casa. Na verdade tudo parecia um sonho, sim, tinha muito medo de acordar. Tinha medo de saber que ele não ia lutar por mim, temia uma traição, temia a força que as drogas exerciam no seu corpo, eu tinha medo de o perder. Sim, era verdade. Eu tinha medo de voltar a sofrer e voltar a perder quem amo.
   Cheguei a casa, os meus pais e o meu irmão ficaram perplexos com o meu sorriso, que, não era assim desde a morte do Vítor.
   Mãe: Tudo bem querida?
   Eu: Sim, mãe, precisam de ajuda?
   Pai: Pronto, estás bem demais, é bom, já não te víamos assim desde…
   Mãe: (interrompendo-o) Carlos, dá-me cá uma ajuda com o forno.
   O meu irmão, o Luís estava a olhar-me, eu sabia que ele estava a entender tudo, puxou-me para o quarto, eu contei-lhe tudo, é 3 anos mais velho, entende-me tão bem, como eu o adoro.
   Os dias foram passando, ele completava-me, tristezas apenas tinham significado no dicionário, a felicidade era tudo o que o meu coração mostrava.

Continua...

Sentido de vida # 5


   Cheguei a casa, deitei-me na cama, e lembrei-me que o Kevin me tinha mandado uma mensagem, a medo, peguei no telemóvel, e li: “Sim, sou um fraco, eu não te mereço, sou um parvo, mulherengo, sem noção da perda de alguém, se calhar egoísta, não sei, não imagino, nem nunca quis saber o que é perder alguém, o que é sentir falta, o que é voltar a querer amar. Não sei o que é tentar largar um vício, nunca tive nenhum, agora a droga é um vício, quero saber o que é sair dele, quero que tu me ajudes, amo-te, acima de tudo eu amo-te, quero fazer isto por ti, quero deixar de ser a criança, quero deixar de ser egoísta, hipócrita, quero deixar de me armar em herói. Já só te quero a ti!”
   «Stefanie, não vais chorar, tu não vais chorar estás a ouvir, que é que eu respondo agora?!»
   Apenas voltei a pousar o telemóvel, as horas passaram, e já não aguentava mais, tive de lhe responder: “Não sabes, pois não saber fez-te tornar assim, cair no mesmo vício do Vítor, vais fazer a mesma merda que ele fez, vais deixar-me também, da maneira que ele me deixou, da forma mais cobarde?”
   Não sei se foi a melhor mensagem que lhe poderia ter mandado, mas já estava feito.
   Kevin: “Vem ter comigo, estou na praia em 10 minutos. Precisamos de falar.”
   Ele tinha razão, tínhamos mesmo de falar, peguei no meu saco e saí.
   Quando lá cheguei, estava o Kevin sentado numa rocha, olhando o horizonte, sentei-me ao lado dele , olhei para os seus olhos, via-os brilhantes, como se uma lágrima fosse cair daqueles seus lindos olhos, onde eu me perco sempre que os olho. Numa fracção de segundos, ficamos frente a frente, com uma voz um pouco trémula apenas me disse:
   Kevin: Eu só preciso de ti, mais nada!

   Após esta pequena frase os nossos lábios colaram, formando um beijo intenso que me virá sempre à memória.

Continua...