Não estava a conseguir, já não sabia que fazer, já estava a entrar em pânico total.
Eu – Vou-te buscar um copo de água, tem calma.
(…)
Voltei de novo à sala já com o copo de água, dei-lho, ele olhou-o e pousou-o na mesa de centro da sala.
Kevin – Obrigada amor, não preciso de nada, só de ti, neste momento, não acredito no que foi acontecer, com ele, não podia.
Eu – Com ele? – Já estava a ver tudo, uma lágrima caiu do meu rosto, já estava demasiado nervosa, e se fosse a notícia que eu pensava que ia ouvir, já estava quase pronta para a receber.
Limpei a lágrima, ao mesmo tempo que duas escorreram do rosto do Kevin – Não, não é justo, não pode ser assim, não dá! – Gritou aquilo, com os nervos à flor da pele. Não pude mais vê-lo assim, abracei-o com força, e ele dizia sempre o mesmo, repetindo vezes e vezes – Não, ele não, o meu melhor amigo não…
Eu – Amor, calma, estou aqui para tudo, só te quero ajudar, tem calma, não aguento ver-te assim.
Kevin: Como?!... Fodass*, a vida é injusta, o Simão morreu. – Continuando a chorar, abraçou-me – eu é que devia estar ali, por tudo o que já fiz, por te ter deixado assim, por ter sido parvo.
Eu – Cala-te, não me digas isso, apenas fica em silêncio, tu não me podes deixar, porque eu te amo, porque eu sem ti não vivia, porque este mês foi um pavor para mim, porque já não aguento viver sem ti. Porque eu te amo! Apenas por essa razão, que já é mais do que a suficiente!
Kevin – Não vejo mais nada na minha vida sem ti, caí num buraco sem fundo, e enquanto não batia no fundo, tratei-te mal, muito mal. E agora preciso da tua ajuda. Não tenho o direito de te pedir nada depois de tudo o que te disse, mas não aguento mais nada sem ti. Amo-te.
Eu – Tinha tantas saudades tuas, tantas, tantas.
Quando dizem que um abraço reconforta, sim, reconforta, depois de tanta tristeza, consegui acalmar um pouco o Kevin, e acalmar-me a mim própria, ou se calhar ele é que me acalmou.
(…)
Tinha medo de falar sobre a morte do Simão, afinal, era o seu melhor amigo, ia ser difícil superar. Tentei adiar essa conversa o mais possível. Eu não estava em mim, não estava segura, não acreditava no que ouvia, foi muito rápido até isto acontecer, num ápice, o Simão… morreu.
Kevin – Obrigada, és a melhor namorada do mundo, só por estares aqui, e tentares dar forças para eu continuar.
Eu – Já? Não queres ficar um pouco? Queres que vá contigo?
Kevin – Não, não precisas de vir, não posso ficar. Não acredito que depois das coisas que te disse, da arrogância, ainda estás aqui, não és como as outras, és complectamente diferente, és totalmente especial.
Esbocei um sorriso, dei-lhe a mão, e levei-o até ao elevador, sem vontade de o deixar ir.
Eu – Meu príncipe, meu anjo, estou sempre no mesmo sítio, à tua espera, para te ajudar, para correr o mundo atrás de ti, para salvar o teu mundo, para te salvar do mundo dos outros, para te dar tudo, para te fazer realmente, feliz, para fazer de ti o meu homem, lembraste?
(flashback)
Eu: Tu és meu, só meu, eu vou fazer tudo, mas tudo para conseguir apenas a tua felicidade, tudo é pouco para te sentires o homem mais feliz do mundo, para seres o meu homem.
Kevin: Tu bastas para me fazer feliz, tu és tão especial, tão frágil, tão guerreira. Eu estou aqui para te fazer bem, para te fazer a mulher mais feliz, para seres a minha mulher. Amo-te.
(flashback)
Kevin – Lembro-me, nunca me vou esquecer, como uma promessa, vou fazê-lo, nem que o mundo acabe, eu vou estar, para realizar os teus sonhos, nem quando todos os mundos desabarem, eu te vou deixar.
Continua...


















